quinta-feira, 24 de maio de 2012

sobre paisagens sonoras


e em dias de céu nublado, onde as cores se misturavam feito o humor de Tarcísio
um sorriso se esboça traduzindo a esperança.
é que as vezes o vento da janela não é o bastante...

no mais, estou bem.
avistei-lhe ao atravessar a rua,
botas de hipismo e pisadas severas
em um certo tempo, essa rua era tão agradável pra você quanto pra mim
meus olhos pousaram em seu corpo, por 10 segundos, em definitivo
pude constatar então, que
seu cotovelo é uma de suas curvas mais bonitas.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Carlos Drummond de Andrade


MÚSICA

Uma coisa triste no fundo da sala.
Me disseram que era Chopin.
A mulher de braços redondos que nem coxas
martelava na dentadura dura
sob o lustre complacente.
Eu considerei as contas que era preciso pagar,
os passos que era preciso dar,
as dificuldades...
Enquadrei o Chopin na minha tristeza
e na dentadura amarela e preta
meus cuidados voaram como borboletas.

domingo, 8 de abril de 2012

tentativa numero 4: ser lúmpen

Trocaram a fechadura do portão e a chave pequena não tranca mais a porta, agora, quando você quiser aparecer vai ter que me avisar.

pois é certo que eu não falo sobre minhas vontades.
te chamo pro mar, quer ver? quer ver como me lanço sem volta?
quer lançar-se comigo?

tartarugas tentam me ensinar a recolher-me . não consigo.

acabar ou desfalecer?
desintegrar cada partícula, cada palavra

mas

meu pensamento
ainda paira sobre seus ombros
e me mantenho nesse desnível

faço do descompasso um modo de vida
e aceito a ausência
como devoção.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

a eterna miséria de tudo, ou Flaubert e sua educação sentimental

os requintes do amor moderno
que tem a precisão de uma ciência
e a mobilidade de um pássaro

sábado, 4 de fevereiro de 2012

não fazem mais sandálias para pés gordos

e o quão cruel se torna a memória, quando a vida vem lhe cobrar duramente pelos maus tratos.
mas de quando em vez vc percebe que, ao invés de fazer perdurar os golpes, tristes sempre serão os fins, nunca os meios.


hoje, procuro o segredo daquela melodia atrelada ao som do silêncio
e, como não sei lidar com poesia
encosto-me a sombra de algum amigo
e por mais que me arme, de todos os lados e com todos os poderes
vejo o tempo sendo tragado,

pego no braço da pequenez da minha razão e sigo.

meu modus operandi me diz que é chegada a hora...

domingo, 20 de novembro de 2011

experiência em primeira pessoa

porém
cada um
uníssono
um só
o indivíduo
procura
seu igual
do privado ao púdico
eu rio
eu ouço
e espero
apesar de ser gaiato
posso ser um homem
inato
tranquilo
passado
aqui estou!
nunca
grito
fecho as vias
fecho os olhos
a deus
.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

em casa onde tem alguém chamado joão, o diabo não vem dançar na porta

sinto lhes dizer
mas o amor, do verbo transitivo, não existe mais
pessoas ainda comem bolacha de barro
o despertador ainda toca, todos os dias
as 07 da manhã
e eu sinto os mesmos calafrios
quando ando com os pés no chão

mas veja
o meu amor vai de mim para o outro
e as bolachas de barro tem manteiga, afinal
o despertador toca e eu durmo mais 10 minutos
e posso andar com os pés vestidos com meias de algodão

bem, o que isso quer dizer? eu não sei...
mas vejo que essa filosofia vã não me levou a lugar nenhum
na verdade, talvez esse seja só um poema sobre contradição
ou
não

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

a palavra escrita nos amarra diante da dinâmica da vida?


e essas sandices ainda me levam a ruína, mas hoje resolvi soprar a poeira da mesa e do cérebro, eis que santa clara clareou! expurguei os demonios que me fazem achar que a tristeza não tem fim, disse a eles que cecile me ensinou que querer felicidade ja é ser feliz, e ai veio o contraponto, maldito, mas eu vou dar muita risada quando o perigo chegar.
vou me jogar porta a fora, o fim do mundo me acalma, hoje uma mulher chorava em oleo, sobre tela.
queria te dizer que bixo te mordeu. mas acaba saindo tudo assim, transcorrido.
desde então senti que não podia ser salva, por nenhum livro, nada, nem leminski que chovia no meu piquenique ajudou dessa vez, por isso questionei, mas descobri que na verdade, tudo não passa da ruim e velha ansiedade, a vida tem dessas coisas. morre diabo.
hoje um cara me disse que devo amar o próximo como a mim mesmo.
mas, quem é meu próximo?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

devaneios sobre cecile cassard

se quer ver o sol, despe-te até a cintura
querer felicidade ja é ser feliz
vejo pessoas agirem como cães que pensam
e sentirem vergonha, como o cavalo de Sócrates,
sinto nos seus olhos o desejo de tomar a mesma decisão...

tudo me invade, me uno a eles
vejo sua imagem em holografias
apago a luz e estico o corpo na horizontal
sorrio sentido o gosto da neurastenia
ao mesmo tempo que meu ventre sangra
e clama para não morrer.

...